Nefrectomia: Entenda o procedimento e suas indicações
A nefrectomia é um procedimento cirúrgico crucial no tratamento de doenças renais, principalmente no tumores renais. Neste artigo, conheça suas indicações e como é realizado a cirurgia do rim.

Sobre o autor – Dr. Rodolfo Garcia Borges, urologista especialista em câncer de rim e cirurgia robótica
O Dr. Rodolfo Garcia Borges é urologista e cirurgião robótico em Cuiabá-MT, com ampla experiência no tratamento do câncer de próstata e de rim. Reconhecido como uma das maiores referências em cirurgia robótica do Mato Grosso e Centro-Oeste do país, o Dr. Rodolfo é o único urologista do estado certificado nas duas principais plataformas robóticas do mundo — Versius e Da Vinci.
Sua formação em cirurgia robótica foi realizada no Hospital Israelita Albert Einstein, um dos centros de excelência médica mais respeitados da América Latina. Além disso, o Dr. Rodolfo atua como proctor (médico instrutor) de cirurgia robótica, contribuindo para a capacitação e formação de novos cirurgiões e para o avanço da cirurgia robótica urológica no Brasil.
Sua formação e especializações inclui:
- Residência Médica em Cirurgia Geral pela SES-MT;
- Residência Médica em Urologia pela Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM/UFMT);
- Pós-Graduação em Cirurgia Robótica em Urologia e Uro-oncologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE);
- Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU);
- Membro internacional da Associação Europeia de Urologia (EAU);
- Membro da Confederação Americana de Urologia (CAU);
- Professor auxiliar da residência médica de Urologia no Hospital Universitário Júlio Muller (HUJM/UFMT);
- Urologista no departamento de Urologia, Uro-oncologia e Cirurgia Robótica do Hospital de Câncer, Oncocenter e Hospital São Matheus;
- Certificado nas plataformas robótica Da Vinci (Intuitive) e Versius (CMR);
- Médico instrutor (proctor) de Cirurgia Robótica Urológica em Cuiabá-MT.
Com uma trajetória sólida e centenas de procedimentos realizados com precisão e segurança, o Dr. Rodolfo Garcia Borges é referência no tratamento de doenças urológicas complexas utilizando a cirurgia robótica, especialmente câncer de próstata, câncer de rim e cirurgias urológicas reconstrutivas.
Atende presencialmente em Cuiabá-MT na Oncocenter e Sorriso-MT no COG, além de oferecer consultas por telemedicina para pacientes de todo o Mato Grosso e estados vizinhos, como Rondônia e Para.
Saiba mais em seu site oficial: www.drrodolfoborges.com.br
O que é a Nefrectomia?
É uma cirurgia do rim que envolve a remoção parcial ou total de um rim. Este procedimento pode ser necessário em várias situações clínicas, como no tratamento de tumores renais, cistos renais, infecções graves, ou lesões traumáticas.
A remoção do rim pode ser realizada de forma aberta, através de uma incisão maior, ou por via robótica, que é menos invasiva e utiliza pequenas incisões. Resultando em menor risco de complicações e sangramento perioperatório.
A cirurgia é frequentemente recomendada quando uma parte significativa do rim está comprometida e não pode ser salva por outros meios. Embora a ideia de remover um rim possa parecer assustadora, é importante lembrar que muitas pessoas vivem uma vida saudável com apenas um rim. A decisão de realizar a cirurgia é baseada em uma avaliação cuidadosa das condições de saúde do paciente e da funcionalidade do rim afetado.
Além disso, a cirurgia pode ser necessária em casos de doação de rim para transplante, onde um rim saudável é removido de um doador vivo para ser transplantado em um paciente com insuficiência renal. Este aspecto altruísta da cirurgia é crucial para salvar vidas e melhorar a qualidade de vida de muitos pacientes que dependem de diálise.
Indicações de Nefrectomia
As indicações para a cirurgia do rim são variadas e incluem tanto condições benignas quanto malignas. Uma das principais indicações é o câncer renal, onde a remoção do rim afetado pode ser a melhor opção para controlar a doença e prevenir sua disseminação.
Tumores renais malignos, como o carcinoma de células renais, frequentemente requerem uma abordagem cirúrgica agressiva para garantir a remoção completa do tumor. Entretanto, com o surgimento da cirurgia robótica, a cada dia que passa a realização da cirurgia Parcial Robótica ganha mais espaço para tumores de variados tamanhos, preservando o rim acometido pelo tumor.
Outro motivo comum para a cirurgia é a presença de rim não funcionante que ocasiona sintomas e infecções recorrentes no paciente.
Infecções renais graves e recorrentes, como pielonefrite crônica, também podem levar à necessidade de remoção do rim. Quando o tecido renal é severamente danificado e não responde mais ao tratamento médico, a remoção do rim afetado pode ser necessária para prevenir a propagação da infecção e proteger a função renal remanescente. Além disso, malformações congênitas e lesões traumáticas graves ao rim também podem justificar a necessidade de uma cirurgia.
Tipos de nefrectomia
Existem vários tipos de nefrectomia, cada um indicado para diferentes situações clínicas. A nefrectomia radical é a remoção completa do rim e o tecido adiposo perirrenal. Este tipo de cirurgia é frequentemente realizado em casos de câncer renal avançado, onde é essencial remover todas as estruturas potencialmente envolvidas pela doença.
A nefrectomia parcial, por outro lado, envolve a remoção apenas da parte do rim que contém o tumor ou a lesão, preservando o máximo possível do tecido renal saudável. Este procedimento é preferido em casos onde o tumor é pequeno e localizado, ou quando o paciente possui apenas um rim funcional, múltiplos tumores renais, tumores renais bilaterais, doença renal crônica. A nefrectomia parcial pode ajudar a preservar a função renal e reduzir o risco de insuficiência renal e hemodialise a longo prazo.
Outro tipo é a nefrectomia robótica, uma técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões e uma câmera para guiar a cirurgia. Este método geralmente resulta em menos dor pós-operatória, uma recuperação mais rápida e menores cicatrizes em comparação com a cirurgia aberta. A escolha do tipo de nefrectomia depende de vários fatores, incluindo a condição específica do paciente, a localização e o tamanho do tumor, e a experiência do cirurgião.
Nefrectomia robótica: Parcial x Total

Na nefrectomia robótica, a grande decisão é simples: preservar rim quando possível (nefrectomia parcial) ou retirar o rim inteiro quando necessário (nefrectomia total/radical).
Nefrectomia Parcial Robótica
A nefrectomia parcial robótica é a opção preferida na maioria dos tumores renais pequenos e bem localizados, porque remove o tumor com margem de segurança e mantém o máximo de função renal — algo crucial em pacientes com lesões bilaterais, tumores múltiplos, rim único ou risco de doença renal crônica. Sendo a primeira opção no tratamento do câncer de rim, sempre que possível.
Saiba mais sobre o tratamento de câncer de rim: Tratamento do Câncer de Rim em Cuiabá-MT
Nefrectomia Total Robótica
Já a nefrectomia total robótica entra em cena quando a preservação não é segura ou viável, como em tumores maiores, muito centrais/complexos, com envolvimento amplo do rim ou quando há suspeita de extensão local. Em mãos experientes, a cirurgia robótica oferece precisão e controle fino da sutura e da hemostasia, permitindo uma estratégia sob medida: tratar o câncer com rigor, sem “gastar rim” à toa.
O procedimento de nefrectomia: passo a passo
O procedimento de nefrectomia começa com a preparação do paciente, que inclui exames pré-operatórios detalhados para avaliar a saúde geral e a função renal. O paciente é então colocado sob anestesia geral para garantir que não sinta dor durante a cirurgia. O cirurgião faz uma incisão na região abdominal ou lateral, dependendo do tipo de nefrectomia a ser realizado.
No caso da nefrectomia aberta, uma incisão maior é feita para permitir o acesso direto ao rim. O cirurgião então cuidadosamente separa o rim dos tecidos circundantes, ligando os vasos sanguíneos e os ureteres que conectam o rim à bexiga. Após a remoção do rim, o cirurgião fecha a incisão com suturas e aplica um curativo estéril.
Para a nefrectomia robótica, pequenas incisões são feitas para inserir os instrumentos cirúrgicos e a câmera laparoscópica. O cirurgião visualiza o interior do corpo em um monitor e utiliza os instrumentos para dissecar o rim. Este método minimamente invasivo permite uma recuperação mais rápida, menor risco de sangramento, menor risco de complicações, menos dor pós-operatória e maior chance de preserver o tecido saudavel do rim. Após a remoção do rim, as pequenas incisões são fechadas com suturas ou adesivos cirúrgicos.
Riscos e complicações da nefrectomia
Como qualquer procedimento cirúrgico, a nefrectomia apresenta riscos e possíveis complicações. Uma das complicações mais comuns é a infecção, que pode ocorrer no local da incisão ou internamente. É essencial monitorar sinais de infecção, como febre, vermelhidão, inchaço ou drenagem de pus, e procurar atendimento médico imediato se esses sintomas ocorrerem.
Outra complicação potencial é o sangramento excessivo durante ou após a cirurgia. Embora os cirurgiões tomem medidas para controlar o sangramento, pode ser necessário realizar transfusões de sangue em alguns casos. Lesões em órgãos próximos, como o baço, fígado ou intestinos, também podem ocorrer, especialmente em cirurgias complexas ou em pacientes com anatomia alterada.
Além disso, há o risco de desenvolvimento de hérnias no local da incisão, especialmente em cirurgias abertas. A insuficiência renal é uma preocupação significativa em pacientes que já possuem função renal comprometida antes da cirurgia. É crucial que os pacientes sigam todas as orientações pós-operatórias e compareçam às consultas de acompanhamento para monitorar sua recuperação e detectar quaisquer complicações precocemente. Outras complicações que podem ocorrer são: íleo paralitico, tromboembolismo venoso, deiscência da incisão cirúrgica, seroma, fistulas urinarias, linfocele, atelectasia e abscessos intracavitários.
A realização da nefrectomia robótica diminui consideravelmente estes riscos citados, além de aumentar a chance de preservação do rim acometido (Nefrectomia Parcial) e menor tempo de internação hospitalar. Em centros de grande volume, um paciente submetido a nefrectomia robótica fica internado em media dois dias.
Cuidados pós-operatórios
Os cuidados pós-operatórios são fundamentais para uma recuperação bem-sucedida após a nefrectomia. Imediatamente após a cirurgia, o paciente é monitorado na sala de recuperação para garantir que esteja acordando da anestesia sem complicações. A equipe médica verificará sinais vitais, níveis de dor e a função renal remanescente.
Nos primeiros dias após a cirurgia, é importante que o paciente se levante e comece a caminhar o mais cedo possível para prevenir complicações como trombose venosa profunda, tromboembolismo pulmonar e íleo paralitico. A mobilização precoce ajuda a melhorar a circulação sanguínea e promove a recuperação. A ingestão de líquidos é incentivada para ajudar a manter a função renal e prevenir a desidratação.
Os pacientes devem seguir uma dieta balanceada e evitar alimentos que possam irritar o trato urinário. É essencial evitar levantar objetos pesados e atividades extenuantes por várias semanas para permitir que o corpo se recupere adequadamente. O controle da dor é uma parte importante do processo de recuperação, e os médicos podem prescrever analgésicos para ajudar a gerenciar o desconforto.
Recuperação após a nefrectomia
A recuperação após a nefrectomia pode variar de paciente para paciente, dependendo de fatores como a idade, a condição de saúde geral e o tipo de cirurgia realizada. Em geral, pacientes submetidos à nefrectomia robótica podem esperar uma recuperação mais rápida em comparação com aqueles que passaram por uma nefrectomia aberta. No entanto, ambos os tipos de cirurgia exigem um período de repouso e cuidados pós-operatórios adequados.
Nos primeiros dias após a alta hospitalar, é comum sentir algum grau de dor e desconforto na área da incisão. A dor geralmente diminui com o tempo e pode ser gerenciada com analgésicos prescritos pelo médico. É importante seguir todas as recomendações médicas e comparecer às consultas de acompanhamento para monitorar a recuperação e detectar qualquer complicação.
A maioria dos pacientes pode retornar às suas atividades normais dentro de 4 a 6 semanas após a cirurgia, embora isso possa variar. Atividades físicas intensas devem ser evitadas até que o médico libere o paciente. A função renal remanescente será monitorada regularmente para garantir que o rim restante esteja funcionando adequadamente e para detectar qualquer sinal de insuficiência renal.
Nefrectomia em casos de câncer renal

A nefrectomia é frequentemente o tratamento de escolha para pacientes com câncer renal, especialmente quando o tumor é localizado e operável. O câncer renal, ou carcinoma de células renais, é uma das formas mais comuns de câncer de rim e pode ser agressivo se não tratado adequadamente. A nefrectomia radical é geralmente recomendada para tumores grandes ou quando há suspeita de invasão em estruturas adjacentes.
Para tumores menores e sem invasão de outras estruturas, a nefrectomia parcial é a opção de primeira escolha. Este procedimento preserva o máximo possível do tecido renal saudável, o que é particularmente importante para pacientes com função renal comprometida ou aqueles que têm apenas um rim funcional.
A decisão sobre o tipo de nefrectomia a ser realizado é baseada em uma avaliação detalhada do tumor, da saúde geral do paciente e das preferências pessoais.
A remoção cirúrgica do tumor renal é crucial para controlar a doença e prevenir sua disseminação para outros órgãos. Em alguns casos, a nefrectomia pode ser combinada com outras modalidades de tratamento, como imunoterapia, para melhorar os resultados. O acompanhamento regular e a detecção precoce de recidivas são essenciais para o sucesso a longo prazo no tratamento do câncer renal.
Alternativas à nefrectomia
Embora a nefrectomia seja um tratamento eficaz para muitas condições renais, existem alternativas que podem ser consideradas, dependendo da situação clínica específica. A ablação por radiofrequência e a crioterapia são técnicas minimamente invasivas que podem ser utilizadas para tratar pequenos tumores renais pequenos. Esses métodos envolvem a destruição do tumor através de calor ou frio extremo, respectivamente, e podem ser uma opção para pacientes que não são candidatos ideais para cirurgia.
Outra alternativa é a vigilância ativa, que pode ser apropriada para pacientes com tumores renais pequenos e de crescimento lento. Nesta abordagem, o tumor é monitorado regularmente através de exames de imagem e testes laboratoriais, e o tratamento cirúrgico é reservado para quando houver evidências de crescimento ou mudança nas características do tumor. Esta estratégia é frequentemente utilizada em pacientes idosos ou com múltiplas comorbidades.
Além disso, a terapia médica, incluindo medicamentos direcionados e imunoterapia, pode ser uma opção para pacientes com câncer renal avançado ou metastático. Esses tratamentos ajudam a controlar o crescimento do tumor e podem ser usados em combinação com a cirurgia ou como tratamento primário em casos onde a cirurgia não é viável. A escolha da abordagem de tratamento depende de uma avaliação cuidadosa da condição do paciente e das características específicas da doença.
Conclusão e considerações finais
A nefrectomia é um procedimento cirúrgico vital no tratamento de diversas condições renais, incluindo câncer, infecções graves e lesões traumáticas. A decisão de realizar uma nefrectomia é baseada em uma avaliação cuidadosa da saúde do paciente, da funcionalidade do rim afetado e das opções de tratamento disponíveis. A cirurgia pode ser realizada de forma aberta ou via robótica, cada uma com suas próprias vantagens e desvantagens.
Os cuidados pós-operatórios e a recuperação são cruciais para o sucesso a longo prazo da nefrectomia. A mobilização precoce, a ingestão adequada de líquidos e o controle da dor são componentes importantes do processo de recuperação. Os pacientes devem seguir todas as recomendações médicas e comparecer às consultas de acompanhamento para monitorar a função renal e detectar qualquer complicação precocemente.
Embora a nefrectomia seja um tratamento eficaz para muitas condições renais, existem alternativas que podem ser consideradas, dependendo da situação clínica específica do paciente. A ablação por radiofrequência, a crioterapia e a vigilância ativa são algumas das opções que podem ser exploradas em casos apropriados. A escolha do tratamento ideal deve ser feita em conjunto com o médico, levando em consideração todos os fatores relevantes para garantir os melhores resultados possíveis.
Perguntas frequentes (FAQ):
O que é nefrectomia e quando ela é indicada?
A nefrectomia é a remoção cirúrgica de um rim ou uma parte dele (nefrectomia parcial). Ela é indicada em casos de câncer renal, tumores renais, cistos renais, infecções do rim, lesões renais traumáticas ou em situações onde o rim está comprometido e não funciona adequadamente.
Qual a diferença entre nefrectomia parcial e nefrectomia total (radical)?
A nefrectomia parcial envolve a remoção de uma parte do rim, geralmente para tratar tumores pequenos ou doenças localizadas, preservando o restante do órgão. A nefrectomia total (radical) consiste na remoção completa do rim afetado, e é indicada em casos de câncer renal mais avançado ou disseminado.
Qual a forma mais segura de realizar uma nefrectomia?
A nefrectomia deve ser realizada por um cirurgião especializado em um ambiente hospitalar controlado, utilizando técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, como a nefrectomia robótica. A técnica robótica diminui os riscos de complicações relacionadas ao procedimento.
É possível viver normalmente com apenas um rim?
Sim, é possível viver normalmente com apenas um rim. Muitas pessoas levam uma vida saudável e ativa com um único rim.
Quais são os principais riscos e complicações de uma nefrectomia?
Os principais riscos e complicações de uma nefrectomia incluem:
Sangramento excessivo e tromboembolismo.
Infecção.
Lesão a órgãos adjacentes.
Coágulos sanguíneos.
Problemas respiratórios.
Reação adversa à anestesia.
Insuficiência renal (especialmente se houver rim único).
Dor crônica.
Hérnias no local da incisão.
Complicações relacionadas à cicatrização.