Pular para o conteúdo principal

Dr. Rodolfo Garcia Borges – Urologia e Cirurgia Robótica – Cuiabá – MT

Câncer de Próstata

Como fica o homem após retirar a próstata? O que realmente muda após a cirurgia de próstata

352 visualizacoes Dr. Rodolfo Garcia Borges

Como fica o homem após retirar a próstata?

Após a retirada da próstata, o homem continua podendo ter uma vida longa, ativa e com boa qualidade de vida. No entanto, algumas mudanças são esperadas, principalmente em relação à ejaculação, fertilidade, ereção e controle urinário. A testosterona e o desejo sexual, por outro lado, geralmente permanecem preservados. A intensidade dessas alterações varia conforme a idade, as condições de saúde do paciente, a função sexual antes da cirurgia, a preservação dos nervos responsáveis pela ereção e a experiência da equipe cirúrgica.

Receber o diagnóstico de câncer de próstata costuma gerar muitas dúvidas e inseguranças. Entre todas elas, uma das mais frequentes é: “Como fica o homem depois que retira a próstata?”. Muitos pacientes acreditam que a cirurgia significa perda definitiva da ereção, uso permanente de fraldas ou até mesmo perda da masculinidade. Felizmente, essas ideias nem sempre correspondem à realidade.

A retirada da próstata, chamada de prostatectomia radical, é um dos tratamentos mais eficazes para o câncer de próstata localizado e tem como principal objetivo eliminar completamente o tumor, oferecendo altas taxas de cura quando bem indicada. Nas últimas décadas, a evolução das técnicas cirúrgicas, especialmente da cirurgia robótica, permitiu uma melhora significativa dos resultados funcionais, reduzindo complicações e favorecendo uma recuperação mais rápida da qualidade de vida.

Neste artigo, você entenderá o que realmente muda após a retirada da próstata, quais alterações são esperadas, quais podem ser temporárias e quais tratamentos ajudam o homem a manter uma vida saudável e ativa após a cirurgia.

Se você deseja entender melhor o diagnóstico, os fatores de risco e todas as opções de tratamento da doença, leia também nosso artigo completo sobre câncer de próstata, onde explicamos desde os sintomas até as modalidades terapêuticas mais atuais.

O que é a retirada da próstata?

A retirada da próstata, conhecida tecnicamente como prostatectomia, é uma cirurgia indicada principalmente para homens com câncer de próstata localizado ou localmente avançado, quando existe possibilidade de tratamento com intenção curativa.

Durante o procedimento, toda a glândula prostática é removida juntamente com as vesículas seminais. Em alguns pacientes, também pode ser necessária a retirada dos linfonodos da pelve para avaliação da disseminação da doença.

Atualmente, a cirurgia pode ser realizada por diferentes técnicas, incluindo cirurgia aberta, laparoscópica e cirurgia robótica. A escolha depende das características do tumor, das condições clínicas do paciente e da experiência da equipe cirúrgica.

Se você deseja conhecer melhor essa técnica minimamente invasiva, leia também nosso artigo sobre cirurgia robótica da próstata, no qual explicamos suas indicações, benefícios e diferenças em relação às demais abordagens cirúrgicas.

Se quiser entender melhor a técnica minimamente invasiva, veja também: Cirurgia Robótica da Próstata: indicações e benefícios

A cirurgia para câncer de próstata é diferente da cirurgia para próstata aumentada?

Antes de entender as mudanças na vida do homem após a retirada da próstata, é importante esclarecer uma dúvida muito comum: nem toda cirurgia da próstata é igual.

Muitos pacientes conversam com amigos ou familiares que já fizeram uma cirurgia para “próstata aumentada” e acabam ouvindo relatos como: “Eu continuei ejaculando normalmente” ou “Minha vida sexual não mudou”. Isso pode gerar confusão e expectativas irreais.

A explicação é simples: a cirurgia realizada para tratar o câncer de próstata é completamente diferente da cirurgia indicada para próstata aumentada (hiperplasia prostática benigna).

Na prostatectomia radical, realizada para tratar o câncer de próstata, toda a próstata é removida juntamente com as vesículas seminais e, em alguns casos, os linfonodos da pelve. Como consequência, ocorre interrupção definitiva da passagem do sêmen, impossibilitando a ejaculação e a fertilidade natural.

Já nas cirurgias para tratar a próstata aumentada, como a ressecção transuretral da próstata (RTU de próstata), a enucleação prostática com laser (HoLEP ou ThuLEP) ou a vaporização prostática, apenas a parte interna da próstata que está obstruindo a uretra é removida. A cápsula prostática permanece preservada, assim como praticamente todas as estruturas responsáveis pela produção hormonal e pela função sexual.

Embora pacientes submetidos às cirurgias para hiperplasia prostática também possam apresentar ejaculação retrógrada ou ausência de ejaculação, isso acontece por um mecanismo completamente diferente daquele observado após a prostatectomia radical. Além disso, nessas cirurgias a próstata permanece no organismo, enquanto no tratamento do câncer ela é retirada por completo.

Por isso, sempre que você pesquisar sobre as consequências da retirada da próstata, certifique-se de que as informações se referem especificamente à prostatectomia radical, realizada para o tratamento do câncer de próstata, e não às cirurgias indicadas para próstata aumentada.

Como fica a vida após retirada da próstata?

Cada paciente apresenta uma recuperação diferente. Alguns retornam rapidamente às suas atividades habituais, enquanto outros podem precisar de mais tempo para recuperar determinadas funções. Os resultados dependem de diversos fatores, como idade, presença de diabetes, hipertensão, obesidade, tabagismo, função urinária e sexual antes da cirurgia, extensão do tumor e preservação dos nervos responsáveis pela ereção.

De maneira geral, as principais mudanças após a retirada da próstata envolvem:

  • controle urinário;
  • função erétil;
  • ejaculação;
  • fertilidade;
  • orgasmo;
  • qualidade de vida.

Conhecer essas alterações ajuda a reduzir a ansiedade e permite que o paciente participe das decisões sobre seu tratamento de forma mais tranquila e consciente.

O homem continua tendo ereção após retirar a próstata?

Essa é provavelmente a dúvida mais frequente entre os homens que serão submetidos à cirurgia.

Os nervos responsáveis pela ereção passam muito próximos da próstata. Sempre que as características do câncer permitem, o cirurgião procura preservar esses feixes nervosos por meio da chamada cirurgia com preservação neurovascular (nerve-sparing). Quando essa preservação é possível, as chances de recuperação da função erétil são significativamente maiores.

Mesmo com a preservação dos nervos, é comum que ocorra uma redução temporária da capacidade de obter ou manter ereções nos primeiros meses após a cirurgia. Isso acontece porque essas estruturas sofrem um processo de manipulação cirúrgica e precisam de tempo para recuperar sua função.

A recuperação da ereção varia amplamente entre os pacientes e depende principalmente da idade, da qualidade das ereções antes da cirurgia, da presença de doenças como diabetes e hipertensão, do tabagismo e da preservação dos nervos durante o procedimento.

De forma geral, homens mais jovens, com boa função erétil prévia e submetidos à preservação bilateral dos nervos apresentam maiores chances de recuperar a função sexual ao longo do seguimento.

Vale lembrar que dificuldade de ereção não significa necessariamente impotência permanente. Muitos pacientes apresentam melhora progressiva da função sexual durante os meses seguintes ao tratamento, especialmente quando acompanhados por um urologista com experiência em reabilitação sexual.

O desejo sexual continua o mesmo?

Uma dúvida bastante comum é se retirar a próstata faz o homem perder o desejo sexual. A resposta, na maioria dos casos, é não.

É importante diferenciar dois conceitos que frequentemente são confundidos: libido e ereção. Libido é o desejo ou interesse sexual, enquanto ereção é a resposta física do pênis ao estímulo sexual.

Como a próstata não produz testosterona, sua retirada normalmente não interfere na produção desse hormônio nem no desejo sexual. Assim, muitos homens continuam sentindo atração, desejo e interesse por relações sexuais após a cirurgia.

Quando existe diminuição da libido, geralmente ela está relacionada a fatores emocionais, ansiedade, medo do desempenho sexual ou aos efeitos psicológicos do diagnóstico de câncer, e não à retirada da próstata em si.

A testosterona diminui após retirar a próstata?

Não. Essa é uma das maiores preocupações dos pacientes, mas a resposta é tranquilizadora: a retirada da próstata não reduz a produção de testosterona.

A testosterona é produzida principalmente pelos testículos e não pela próstata. Assim, mesmo após a prostatectomia radical, os níveis hormonais costumam permanecer praticamente inalterados.

Isso significa que características masculinas como voz, barba, massa muscular e desejo sexual geralmente são preservadas. O homem continua produzindo seus hormônios normalmente e não entra em uma espécie de “andropausa” por causa da cirurgia.

É importante destacar que alguns pacientes com câncer de próstata podem precisar de terapia hormonal (bloqueio hormonal) como parte do tratamento oncológico. Nesses casos, a redução da testosterona ocorre devido aos medicamentos utilizados e não pela retirada da próstata em si. São tratamentos diferentes, indicados para situações clínicas específicas.

O homem continua sentindo orgasmo após retirar a próstata?

Sim. Na maioria dos casos, o homem continua sendo capaz de atingir o orgasmo após a retirada da próstata.

Essa é uma informação que surpreende muitos pacientes. Existe uma falsa ideia de que a próstata seria responsável pelo prazer sexual, mas isso não é verdade. O orgasmo resulta de uma complexa interação entre o cérebro, os nervos, a medula espinhal e os órgãos genitais, e não depende exclusivamente da presença da próstata.

Nos primeiros meses após a cirurgia, a intensidade das sensações pode ser diferente devido ao processo de recuperação física, emocional e da função erétil. Com o passar do tempo, entretanto, muitos homens voltam a relatar orgasmos satisfatórios e uma vida sexual ativa.

A qualidade do orgasmo pode variar entre os pacientes e depende de fatores como idade, preservação dos nervos da ereção, função sexual antes da cirurgia e adaptação do casal à nova fase da vida.

O que é orgasmo seco?

Uma das alterações permanentes mais importantes após a retirada da próstata é o chamado orgasmo seco.

Durante a prostatectomia radical são removidas a próstata e as vesículas seminais, estruturas responsáveis por produzir aproximadamente 95% do líquido que compõe o sêmen. Como consequência, o homem continua podendo sentir prazer e atingir o orgasmo, mas não ocorre mais ejaculação.

Isso significa que o orgasmo continua existindo, porém sem saída de sêmen pelo pênis.

Essa mudança é definitiva e representa uma consequência anatômica esperada da cirurgia, não sendo considerada uma complicação. Muitos pacientes relatam que, após o período de adaptação, o orgasmo continua satisfatório mesmo sem ejaculação.

É importante reforçar que o orgasmo seco não reduz a masculinidade, não interfere na produção hormonal e não significa perda da capacidade de sentir prazer.

O homem ainda ejacula depois da retirada da próstata?

Não. Após a prostatectomia radical, a ejaculação deixa de ocorrer definitivamente porque a próstata e as vesículas seminais, responsáveis pela produção do líquido seminal, foram removidas durante a cirurgia.

Esse é um dos aspectos que mais diferenciam a cirurgia para câncer de próstata das cirurgias realizadas para próstata aumentada.

Apesar da ausência de ejaculação, o homem pode continuar tendo desejo sexual, ereções (quando a função erétil é preservada ou recuperada) e orgasmos.

É importante explicar esse aspecto antes da cirurgia para evitar frustrações e alinhar corretamente as expectativas do paciente e de sua parceira.

O homem pode ter filhos após retirar a próstata?

Após a retirada da próstata, o homem perde a fertilidade natural, pois não existe mais eliminação de sêmen durante o orgasmo.

Entretanto, isso não significa que os testículos deixam de produzir espermatozoides. A produção espermática geralmente continua normal, mas essas células deixam de ser eliminadas naturalmente, já que a via de saída é interrompida durante a cirurgia.

Por esse motivo, homens que ainda desejam ter filhos no futuro devem conversar com seu urologista antes do tratamento. Dependendo da idade, do planejamento familiar e das características do câncer, pode ser indicada a criopreservação de sêmen (congelamento de espermatozoides) antes da cirurgia.

Essa é uma estratégia segura e amplamente utilizada para preservar a possibilidade de paternidade biológica no futuro.

O homem pode perder urina após retirar a próstata?

Uma das maiores preocupações dos homens que serão submetidos à retirada da próstata é a possibilidade de desenvolver incontinência urinária. Essa preocupação é compreensível, mas é importante entender que a evolução costuma ser bastante favorável na maioria dos pacientes.

Durante a prostatectomia radical, a próstata é removida completamente e a bexiga passa a ser conectada diretamente à uretra. Como a próstata faz parte do mecanismo anatômico da continência urinária e está intimamente relacionada ao esfíncter urinário, essa reconstrução pode provocar uma redução temporária da capacidade de controlar a urina logo após a cirurgia.

Nas primeiras semanas ou meses, é relativamente comum ocorrerem pequenos escapes urinários, principalmente ao tossir, espirrar, levantar peso, caminhar rapidamente ou realizar atividades físicas. Esses sintomas tendem a diminuir progressivamente à medida que ocorre a adaptação do organismo e o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico.

A maioria dos homens recupera um bom controle urinário ao longo do primeiro ano após a cirurgia. Entretanto, essa recuperação depende de diversos fatores, como idade, função urinária antes da cirurgia, doenças associadas, preservação das estruturas anatômicas responsáveis pela continência e experiência da equipe cirúrgica.

Vale destacar que a recuperação da continência urinária é um processo individual. Enquanto alguns pacientes permanecem continentes logo após a retirada da sonda vesical, outros podem necessitar de alguns meses para atingir o mesmo resultado.

Se você deseja entender detalhadamente como ocorre essa recuperação e quais exercícios ajudam a acelerar o retorno da continência urinária, leia também nosso artigo completo sobre recuperação da prostatectomia radical.

O que é climatúria?

Outra alteração que pode ocorrer após a retirada da próstata é a climatúria, nome dado ao escape involuntário de urina durante o orgasmo.

Embora muitas pessoas nunca tenham ouvido falar nesse problema, ele é relativamente frequente após a prostatectomia radical e pode causar constrangimento durante a vida sexual.

A climatúria ocorre porque os mecanismos responsáveis pelo fechamento do colo da bexiga e pelo controle urinário sofrem alterações após a remoção da próstata. Dessa forma, durante as contrações musculares que acontecem no orgasmo, uma pequena quantidade de urina pode escapar pela uretra.

Estudos mostram que essa condição pode acometer aproximadamente 20% a 40% dos homens, principalmente nos primeiros meses após a cirurgia. Felizmente, em muitos pacientes a intensidade diminui com o tempo à medida que a continência urinária melhora.

Algumas medidas simples, como esvaziar completamente a bexiga antes da relação sexual e realizar fisioterapia do assoalho pélvico, podem reduzir significativamente esse problema.

É importante ressaltar que a climatúria não significa que a cirurgia foi mal realizada ou que houve falha no tratamento do câncer. Trata-se de uma possível consequência funcional da prostatectomia radical, que pode ser acompanhada e tratada quando necessário.

O pênis diminui de tamanho após retirar a próstata?

Essa é uma dúvida que muitos homens têm vergonha de perguntar durante a consulta, mas que merece ser discutida de forma aberta e baseada em evidências científicas.

Alguns pacientes percebem uma discreta redução no comprimento aparente do pênis após a cirurgia. Essa alteração geralmente é pequena e ocorre por uma combinação de fatores, incluindo mudanças anatômicas decorrentes da retirada da próstata, encurtamento da uretra durante a reconstrução cirúrgica e diminuição temporária das ereções espontâneas no período pós-operatório.

Na maioria dos casos, essa redução não interfere na função sexual e pode melhorar parcialmente ao longo dos meses, principalmente quando ocorre recuperação da função erétil.

Além disso, programas de reabilitação peniana, quando indicados pelo urologista, podem contribuir para preservar a oxigenação dos corpos cavernosos, minimizar a formação de fibrose e ajudar na manutenção do comprimento peniano.

É importante destacar que essa alteração costuma ser discreta e não ocorre da mesma forma em todos os pacientes.

O homem perde a masculinidade após retirar a próstata?

Definitivamente, não. Infelizmente, ainda existe o mito de que retirar a próstata faz o homem “deixar de ser homem”. Essa ideia não possui qualquer fundamento científico.

A masculinidade não depende da presença da próstata. Após a cirurgia, os testículos continuam produzindo testosterona, o desejo sexual geralmente permanece preservado, o paciente continua sendo capaz de atingir o orgasmo e, em muitos casos, também recupera a função erétil.

O que muda é a forma como algumas funções do aparelho reprodutor passam a acontecer, especialmente a ejaculação e, temporariamente, a ereção e o controle urinário.

Além das mudanças físicas, o diagnóstico de câncer pode gerar medo, ansiedade e insegurança em relação ao futuro. Por isso, o apoio da família, da parceira e da equipe médica desempenha papel fundamental durante todo o processo de tratamento e recuperação.

Entender previamente as possíveis mudanças ajuda a reduzir expectativas irreais e permite que o paciente enfrente essa fase com mais tranquilidade e confiança.

Como fica a qualidade de vida após retirar a próstata?

Uma das maiores preocupações dos pacientes é saber se conseguirão voltar a viver normalmente após o tratamento.

A resposta é que, para a maioria dos homens, sim. Diversos estudos mostram que pacientes submetidos à prostatectomia radical apresentam melhora progressiva da qualidade de vida ao longo dos meses seguintes à cirurgia. Após o período inicial de adaptação, a grande maioria retorna às atividades profissionais, pratica exercícios físicos, viaja, mantém relacionamentos afetivos e continua participando normalmente de sua rotina.

É natural que ocorram mudanças na função urinária e sexual, especialmente no início do pós-operatório. No entanto, essas alterações costumam diminuir progressivamente, principalmente quando o paciente recebe acompanhamento especializado e segue corretamente as orientações médicas.

Além disso, muitos homens relatam importante melhora emocional ao saberem que o câncer foi tratado com intenção curativa, permitindo retomar seus projetos pessoais e familiares com maior tranquilidade.

Mais do que preservar a qualidade de vida, o principal objetivo da cirurgia é oferecer o melhor controle oncológico possível, associado à preservação da continência urinária, da função sexual e do bem-estar do paciente.

Quem costuma apresentar os melhores resultados após a retirada da próstata?

Embora cada paciente tenha uma recuperação individual, alguns fatores estão associados a melhores resultados funcionais após a prostatectomia radical.

De maneira geral, costumam apresentar maior probabilidade de recuperar a continência urinária e a função erétil os homens que eram mais jovens no momento da cirurgia, apresentavam boa função urinária e sexual antes do tratamento, não eram fumantes, possuíam bom controle de doenças como diabetes e hipertensão e foram submetidos à preservação dos feixes nervosos quando isso era oncologicamente seguro.

Outro fator amplamente reconhecido na literatura é a experiência da equipe cirúrgica. A prostatectomia radical é um procedimento tecnicamente complexo, realizado em uma região com estruturas delicadas responsáveis pelo controle urinário e pela função sexual. Por esse motivo, centros especializados e cirurgiões com elevado volume de procedimentos tendem a apresentar melhores resultados oncológicos e funcionais.

Função sexual após retirada da próstata

Outra dúvida central sobre como fica o homem após a cirurgia do câncer de próstata está relacionada à vida sexual.

A próstata está próxima aos feixes nervosos responsáveis pela ereção, e caso esses nervos são lesados, pode ocasionar impotência sexual (disfunção erétil). Quando o câncer permite, é possível realizar a técnica de preservação nervosa. O que pode acontecer após a cirurgia da próstata?

  • Dificuldade inicial de ereção
  • Recuperação progressiva ao longo dos meses
  • Necessidade de tratamento complementar com medicações e terapias intracavernosas em alguns casos

A idade, comorbidades (obesidade, diabetes mellitus, tabagismo), estadiamento do tumor, e função erétil antes da cirurgia influenciam bastante no resultado após a prostatectomia radical.

Em pacientes submetidos a prostatectomia robótica, os resultados da função erétil são melhores e mais precoces, quando comparada a outras técnicas cirúrgicas.

Existe risco de perda de urina durante o orgasmo?

Sim. Uma condição que pode ocorrer após a retirada da próstata é a climatúria, que é o escape involuntário de urina durante o orgasmo.

O que é climatúria?

Climatúria é a perda urinária que ocorre no momento do orgasmo. Isso pode acontecer porque os mecanismos de controle urinário sofrem alterações anatômicas após a cirurgia.

Isso é comum?

  • Pode ocorrer em parte dos pacientes (40% dos pacientes)
  • Muitas vezes melhora com o tempo
  • Exercícios do assoalho pélvico ajudam na melhora da climatúria

A presença de climatúria não significa que a cirurgia falhou. Trata-se de uma possível consequência funcional que pode ser acompanhada e tratada.

Aspecto emocional após a cirurgia do câncer de próstata

Além das mudanças físicas, existe impacto emocional. É comum surgirem:

  • Ansiedade
  • Medo relacionado à função sexual
  • Insegurança sobre masculinidade

O acompanhamento médico adequado e a informação clara ajudam a reduzir esses receios. A retirada da próstata é um tratamento voltado à preservação da vida e da saúde. A masculinidade não é definida pela presença da próstata.

Perguntas frequentes sobre como fica o homem após retirada da próstata

Como fica a ereção após retirada da próstata?

Pode haver dificuldade inicial, com recuperação progressiva em muitos casos na cirurgia de câncer de próstata, especialmente quando há preservação dos nervos.

O homem fica impotente após retirar a próstata?

Nem sempre. A função erétil depende de fatores como idade, condição prévia e técnica cirúrgica.

O que é orgasmo seco?

É quando o homem atinge o orgasmo, mas não ejacula, pois a próstata e as vesículas seminais foram removidas.

O que é climatúria?

Climactúria é o escape involuntário de urina durante o orgasmo após a retirada da próstata.

A cirurgia da próstata causa incontinência urinária permanente?

Na maioria dos casos, não. Pode ocorrer perda temporária com melhora gradual.

Quanto tempo leva para se recuperar?

A recuperação inicial ocorre em semanas, enquanto a recuperação funcional pode levar alguns meses.

A cirurgia de próstata deixa impotente?

A cirurgia de próstata pode ter como efeito colateral a impotência sexual, mas isso varia de pessoa para pessoa. É importante discutir os riscos e benefícios com o médico antes do procedimento.

Conclusão

Receber o diagnóstico de câncer de próstata costuma despertar muitas dúvidas sobre o futuro, especialmente em relação à continência urinária, à função sexual e à qualidade de vida. No entanto, compreender o que realmente muda após a retirada da próstata ajuda o paciente a tomar decisões mais seguras e enfrentar o tratamento com maior tranquilidade.

Embora a prostatectomia radical provoque mudanças permanentes, como a ausência de ejaculação e a perda da fertilidade natural, isso não significa perda da masculinidade, do desejo sexual ou da capacidade de ter uma vida ativa e satisfatória. Muitos homens recuperam o controle urinário, voltam a ter relações sexuais e retomam suas atividades habituais ao longo do acompanhamento médico.

Os resultados após a cirurgia dependem de diversos fatores, incluindo a idade, as condições de saúde do paciente, a função urinária e sexual antes do tratamento, as características do tumor e a experiência da equipe cirúrgica. Por isso, uma avaliação individualizada é fundamental para definir a melhor estratégia terapêutica e esclarecer as expectativas de cada paciente.

Se você foi diagnosticado com câncer de próstata e deseja entender todas as opções de tratamento, leia também nosso artigo completo sobre câncer de próstata, no qual explicamos os sintomas, o diagnóstico, os estágios da doença e as modalidades terapêuticas atualmente disponíveis.

Para conhecer as vantagens da abordagem minimamente invasiva, confira também nosso artigo sobre cirurgia robótica da próstata, onde mostramos como essa tecnologia pode contribuir para maior precisão cirúrgica e favorecer a preservação da continência urinária e da função sexual quando há indicação para sua utilização.

Se você apresenta sintomas urinários, recebeu o diagnóstico de câncer de próstata ou deseja uma avaliação especializada sobre prostatectomia radical e cirurgia robótica, procure um urologista com experiência no tratamento da doença. Um acompanhamento individualizado, baseado nas melhores evidências científicas, é essencial para alcançar o melhor resultado oncológico e preservar a qualidade de vida.

Sobre o autor

Dr. Rodolfo Garcia Borges (CRM-MT 10015 | RQE 5395 | RQE 7493) é médico urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico, com atuação dedicada ao diagnóstico e tratamento do câncer de próstata, câncer de rim, câncer de bexiga, hiperplasia prostática benigna (próstata aumentada), cálculo renal e outras doenças urológicas. É especialista em cirurgia robótica e cirurgias urológicas minimamente invasivas, incluindo HoLEP e ThuLEP, com foco na preservação da qualidade de vida e na utilização das técnicas mais modernas e baseadas em evidências científicas.

Como fica o homem após retirada da próstata

Sua formação inclui residência médica em Cirurgia Geral pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), residência médica em Urologia pela Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM/UFMT) e Pós-Graduação em Cirurgia Robótica em Urologia e Uro-Oncologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), um dos principais centros de excelência médica da América Latina.

O Dr. Rodolfo Garcia Borges é Cirurgião Robótico e Cirurgião Instrutor (Proctor) certificado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) nas plataformas robóticas Da Vinci e Versius, atuando também na capacitação de novos cirurgiões e contribuindo para o desenvolvimento da cirurgia robótica urológica no Brasil. Possui ainda certificações internacionais pela Intuitive Surgical (Da Vinci) e pela CMR Surgical (Versius).

É membro efetivo da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), membro internacional da Associação Europeia de Urologia (EAU) e membro da Confederação Americana de Urologia (CAU). Também atua como professor auxiliar da Residência Médica de Urologia do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM/UFMT), participando da formação de novos especialistas.

Atualmente, integra as equipes de Urologia, Uro-Oncologia e Cirurgia Robótica do Hospital São Mateus, Oncocenter e Hospital de Câncer de Mato Grosso, realizando procedimentos de alta complexidade com ênfase no tratamento cirúrgico do câncer de próstata, câncer de rim e câncer de bexiga.

Atende pacientes presencialmente em Cuiabá e Sorriso (MT), além de realizar consultas por telemedicina para pacientes de todo o Brasil. Sua prática médica é baseada nas recomendações das principais diretrizes nacionais e internacionais, incluindo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a Associação Europeia de Urologia (EAU) e a Associação Americana de Urologia (AUA), oferecendo um atendimento individualizado, seguro e fundamentado nas melhores evidências científicas.